beyond the sunrise

cais

Julho 7, 2009 · Deixe um comentário

Na amurada do cais uma mulher doente,
Como uma ave que desce o vôo, vem pousar.
E fica junto a mim, melancolicamente,
Olhando o mar, olhando o mar, olhando o mar.

Asas além no céu de cinza… O vento é frio.
E a mulher, apoiando o rosto sobre a mão,
Contempla no horixonte o vulto de um navio,
E os velames que vêm… e os que vão…

Chega-se para mim… Estará comovida?
Ela sofre… No estranho olhar dessa mulher
Noto a fulguração de quem sonha na vida
Uma felicidade inédita qualquer.

Chega-se mais… A tarde tem uns tons antigos.
Abraçamo-nos… Anda uma carícia no ar…
E ficamos os dois, como velhos amigos,
Olhando o mar, olhando o mar, olhando o mar.

ribeiro couto

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olhares

Maio 30, 2009 · Deixe um comentário

Sempre pensei que as pessoas pudessem transmitir mensagens se olhando nos olhos. Olhava-se fixo e se repetia em pensamento a frase ou mensagem que se quisesse passar, a fim de que o receptor pudesse quase como escutar os pensamentos emitidos.

Hoje então vi que a linguagem é outra, o caminho é direto. São as abstrações das almas que de fato se abraçam, sem precisar passar por algum tipo de racionalizador. A essência de fato é transmitida, as conclusões são pessoais. As conclusões, na verdade, são os grandes complicadores de vida.

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Maio 30, 2009 · Deixe um comentário

Passarei a postar antigos registros ou nem tão antigos.

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Março 16, 2009 · Deixe um comentário

Terrível país dos sonhos, onde a lei é um caledoscópio. Toda noite me habia o rosto, o corpo, a ternura de alguém a quem amo, a quem encontro na rua ou em qualquer outro, lugar que gostamos. Retorna também no sonho seguinte; durante semanas governa o meu dormir com a mesma fria petulância de sua vida.

Ai, este caderno é a jaula dos monstros, e lá fora está Buenos Aires

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Juanjo Sáez

Março 16, 2009 · Deixe um comentário

Tanto en la vida como en arte, muchas vezes hay qye escoger entre sentir o entender.

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A doença da morte

Março 15, 2009 · Deixe um comentário

Você continua a falar, sozinho no mundo como você deseja. Você diz que o amor sempre lhe pareceu fora de lugar, que você jamais compreendeu, que você sempre se esquivou de amar, que você sempre quis ser livre para não amar. Você diz que está perdido. Você diz que não sabe onde, dentro de que você está perdido.

….

Ela abre os olhos, ela diz: Não minta mais. Ela diz que espera nunca saber nada do mesmo jeito que você, você sabe, nada do mundo. Ela diz: Eu gostaria de não saber nunca nada do mesmo jeito que você, você sabe, com essa certeza nascida da morte, essa monotonia irremediável, igual a si mesma em cada dia da tua vida, cada noite, com essa função mortal da falta de amar.

Ela diz: Chegou o dia, tudo vai começar, menos você. Você, você não começa nunca.

….

De toda a história você só retém certas palavras que ela disse durante o sono, essas palavras que dizem aquilo  que você tem: Doença da morte.

Bem depressa você desiste, você já não a procura, nem na cidade, nem na noite, nem no dia.

Assim, no entanto, você pôde viver esse amor do único jeito que era lhe possível, perdendo-o antes que ele acontecesse.

Marguerite Duras

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Ser poeta

Abril 2, 2008 · 1 Comentário

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de ouro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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Março 22, 2008 · Deixe um comentário

Noite em Gravatá,

Pablo, Luíza e Rhayan brincam no tecido…

Pablo- Rhayan, vou fazer rapel, taaa?

Rhayan- Tá, idiota, embora você não faça bem como eu ¬¬

Pablo sobe no tecido e se diverte fazendo acrobacias aéreas, Rhayan se afasta um pouco, andando em círculos e olhando o chão entediado. De repente ele dá um pulo e solta um gemido assustado.

Rhayan- Ai, meu deusss, um barbeiro!!

 Luíza- (dá uma olhada rápida, entre bocejos) Ahn, é..?

Pablo- Luaa, posso te ensinar a fazer rapel? Luíza- Ah, claro, Pablo, como é?

Rhayan- (sem tirar os olhos do inseto) PABLO, eu acabei de mostrar para ela, e além do mais você não sabe ensinar nada!

 Pablo- ooo, Rhayan!!! Luíza- Vai, Pablo, mostra!

 Pablo mostra o movimento animado “Aí você passa a perna aqui, e depois faz assim ó, assim, viu?

Rhayan resmunga alguma coisa rispidamente sobre o inseto, vez ou outra dando pulinhos para trás. -aaai, sai, sai, barbeiro

 Pablo- O que é que tem o barbeiro, Rhayan?

Rhayan- O que é que tem? O QUE É QUE TEM? O que é que tem que se ele le picar seu coração inxa bem muito e você morre, entendeu? Aff, e sai daí que eu ensino pra Luíza. Rhayan mostra o movimento com expressão séria e segura “Faça primeiro a chave de cintura, depois passe por baixo, depois pela esquerda, depois direcione a perna para o astral, em seguida passe a cabeça para o meridional..”.

Em seguida, Rhayan sai do terraço, Luíza sobe no tecido e fica revesando com Pablo. Depois de alguns minutos Rhayan volta, acompanhado da mãe e da tia, direciona elas para o inseto, mas ninguém dá a atenção que ele esperava para o inseto e após alguns minutos de discussão todas falam que não é um barbeiro e saem. Rhayan fica decepcionado e volta a atenção para o tecido.

Manhã em gravatá….

Luíza acorda, toma banho e dá uma circulada pela casa. Dez para meio dia, Rhayan ainda dorme. Pega um livro e segue então para o terraço, onde encontra Pablo brincando com uma menina gordiha e mais baixa que ele. Senta da cadeira, de pernas cruzadas e abre o livro, desviando a atenção a cada dois minutos para Pablo mostrando as marcavilhas da casa e do tecido para sua coleguiha, Juliane.

Pablo- aaah, Juliane… E sabia que aqui tem um monte de barbeiro?

Juliane- Barbeeiro?

Pablo- Tu não sabe o que é Barbeiro? É aquele bixinho enorme que pica você e seu coração inxa até você não conseguir mais respirar e morrer…

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disritmia

Março 15, 2008 · 1 Comentário

Eu quero me esconder debaixo
dessa sua saia, pra fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
no emaranhado, desses seus cabelos
Preciso transfundir teu sange
pro meu coração, que é tão vagabundo
Me deixe te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
me deixe te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Eu quero ser exorcisado
pela água benta, desse olhar infindo
Que bom é ser fotografado
mas pelas retinas dos seus olhos lindos
Me deixe hipnotizado
pra acabar de vez com essa disrtimia
Vem logo, vem curar teu nego
que chegou de porre lá da boemia
Vem logo, vem curar
vem curar teu nego que chegou
que chegou de porre lá da bo…
Lá da Boemia

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disritmia

Março 15, 2008 · 1 Comentário

Cheguei a um ponto de não mais conseguir conviver comigo mesma. Desespero-me ao me perceber. E entro em profunda agonia ao perceber que sempre desespero-me, e caí na repetição de modo tão forte, que constantemente penso nessa repetição, e acabo privando-me de agir com medo de andar sempre em círculos, e acabo desta forma por repetir mais ainda.
E essa meta-linguagem que circunda minha vida me entristece, por mais idiota que isso seja.
Às vezes sinto-me tão ampla, e geralmente me alegro, por respirar grande, nessa troca substancial com o mundo. Mas quando vejo-me fechada, é difícil fugir, e tenho medo de deixar as pessoas tontas com esse labirinto insuportável. Mas quando mais me escondo, mais complicado fica achar algum caminho coerente, e mais apertado fica o meu mundo.

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